O AMOR

Roberto Ribeiro De Luca

Não cabe mais em mim, cresceu, cresceu...
Foi se alastrando, ferindo-me a rodo.
Desnastrou-se e vazou... Não mais sou eu,
mas outro... e outros... O mundo todo

queima, fica em mim, clamando por ti.
Ah, tua libido, teu riso por horas!
Rasgou-se o manto inviso que teci...
O azul do mar enodoei com amoras.

Perdi-me o nome na tua cama atroz.
Em teus líquidos, sou qual hipocampo.
Em teus sólidos, estremeço e acampo.

Mudaste-me assim a identidade.
Trouxeste-me o sol que a noite invade.
Ofego... proclamo: “Nós somos nós!”