O CROCODILO FÊMEA

Roberto Ribeiro De Luca

Apertou num pequeno quarto escuro
a mão de bela crente. Contrafez
o afã de possuí-la rente ao muro.
Sentiu rubores e suor na alva tez.

Abriu a janela e entrou a luz.
Estava a sua frente outra mulher.
Com ar amoroso - visão na cruz -,
animou-se: “Bem me quer, mal me quer.”

Beijou-a, deslizou-se dentro dela
e apalpou-a... A flama cresceu na mente.
Lágrima a fera soltou, a iludi-lo,

de brilhantes olhos. Estava aquela
uma acaçapada, mas, de repente...
cravou-lhe ela uns dentes... de crocodilo!