A LAMPARINA

Roberto Ribeiro De Luca

 
Escuridão… Raios furiosos incendeiam o atro céu!
O sopro agastado, em transe, do norte lancinante
encapela vagas imensas no mar, ondas de fel!
Franze um rochedo o grito da morte agonizante…

Almas aflitas engolfam-se em ardilosa neblina,
prestes a lançá-las à água fria, sobre os sargaços.
Em delírio, ofertam a Maria untuosa lamparina.
E o início do martírio suportam com abraços…

De chofre, a pânica borrasca esconde-se morrente,
o sol invade as frinchas miúdas da barca luminar,
transmuda em maviosa alegria cada emoção presente.

Gotas de água e sal estão no vento pudibundo.
Num estranho nimbo cor de chumbo, um rosto a chorar:
“Salve Nossa Senhora da Ajuda, Rainha do Mundo!"