A NOITE E O DIA

 

Roberto Ribeiro De Luca

 
É noite alta, o céu retinto deita o olhar sobre tudo, gigante
abastado, africano bruto, que esquarteja insano o Sol
faminto no fim dos dias para formar um véu esfuziante,
adornado com pedrinhas alvas, luzidias, em corte de escol!

Majestoso, sempre a lordar, envia ao mundo rico encanto,
que revigora a volúpia à míngua, escraviza o afã do vício,
a língua no pó branco. Do martírio reverbera o pranto,
o eco do trovão, e da pândega o riso, os fogos de artifício!

Altivo, com o braço erguido, exibe a Lua fria sobre a mão
- a amante ímpia, que açula o cão feroz, o sangue ébrio.
( As estrelas conjuradas por ciúme odeiam essa visão,

preparam dissimuladas lento e atroz aglutinamento.)
Depois ele esmorece, ao ouvir a voz de Cristo no Sinédrio…
E o Sol reaparece - fulminante - no exangue firmamento!