DE FININHO

Roberto Ribeiro De Luca

 
Aos portugueses, com respeito e admiração.
 
Distraído, certo dia, num evento,
encontrei um português, meu conhecido,
que na vida se gloria cem por cento.

- Olá, disse eu, afeito, insone.
Como vai? Alberto, amigo querido!
(Com efeito, será esse o seu nome?)

- Vou bem, obrigado, nada mal.
Nem sequer respirou, estendeu:
- Estive em Espanha e em Portugal.

- Como está a Península Ibérica?
- Culta, imponente qual Viseu,
magnífica e única, homérica!

Estudava lá idiomas até me carpir.
Fiz doutorado, com fluência em basco.
Enrubesci ( A que deverá isso servir?)

Perguntei-lhe, em tom irônico, cético,
se almejava tornar-se outro Vasco.
Respondeu-me circunspecto: “Sou eclético,

traduzo o árabe e o grego, oro em latim.
Debuxo planos: O aramaico e o italiano…
não os quero em Lisboa, apenas em Turim.”

- Renda não lhe falta! O custo disso tudo?!
- Quase nada, venci concurso desumano,
com direito a mesada e a bolsa de estudo.

Antes que me inquirisse altaneiro,
convicto, o que estava eu a fazer,
pedi-lhe “dispensa” e fui ao banheiro.

Evitei o impasse com tal ato.
De mim não sabia o que dizer…
Pensei alto, sem poder me conter:
“Que sujeito chato!"