UM ESPELHO

Roberto Ribeiro De Luca

O vento lá de fora se fez brincadeira
ao relento. Vi-me pequeno, cabra-cega,
com a alma imbele, vestido de caveira,
de monstro, de dragão que sua e resfolega.

O frio aqui neste aposento, agro inverno
ao crepúsculo, ressecou a eito os antúrios.
Folhas rojando-se pelo átrio externo
trouxeram-me ao peito endechas e murmúrios…

Os recantos da memória a natureza
espelha. A esfera embaciada de meus olhos
orvalha-se ao tempo que abre com destreza…

Oh, ar volteante e aflitivo! Tu és vagido,
a velha história, gemido alto entre abrolhos,
a criança de que havia me esquecido…